Nunca tinha passado por tal estado, tentei me comunicar, mas ninguem me via, gritava e ninguem me escutava, só
pude chegar a uma conclusão. Estava morto. Mas morto, como assim? me sentia tão vivo. Fui fazendo uma
retrospectiva de meus ultimos dias, e pude perceber que me suicidei, jamais havia passado em minha cabeça
cometar tal ato de covardia, mas cometi, sabia que estava me matando, mas continuei alimentei aquilo que me
consumia, alimentei aquilo que fazia eu não ser quem eu sempre fui. Doiá. Quanto mais eu alimentava mais doiá,
o aço da navalha não era capaz de produzir uma dor maior que a desse alimento. Alimento da Alma, alimento dos
poetas. Foi de amor que eu me alimentei nos meus ultimos dias, e foi por amor que dei meu ultimo suspiro, agora
aqui estou inerte a tudo que acontece, tentado pegar no ar o perfume do amor, mas minha luta é vã, não posso
desse lado me alimentar de amor, este é um sentimento humano, e já não sou mais um, sou apenas pó. Mas eis que
sou surprendido por um barulho que entra em meus ouvidos retomo minha conciencia, tudo não passou de um sonho,
mas do sonho ainda resta meu alimento, o AMOR, e é assim que vou vivendo, amando, doendo, mas vivendo,
sorrindo, doendo, amando, vivendo, cantando, amando, doendo. Assim fui, assim sou e assim sempre serei, minha
essencia é o amor, não sei ser outra coisa, não sei ser menos intenso, vou ser assim até o fim, perdi muito por
ser assim, espero não perder mais. Amor, desculpa, mas eu sou assim. E esse eu não tenho nem que dizer que não
é um sentimento meu, porque esse é só meu, só eu te amo assim só eu vou te amar tão intensamente.
Pretencioso? Pode até ser.
Mas duvido!

