Feeds:
Posts
Comentários

Archive for dezembro \15\UTC 2009

Read Full Post »

Acordei hoje é só conseguia ouvir o silencio absurdo que ecoava pelos ares, assustado abri a janela e vi que já era dia, o sol queimava, tive a impressão de ouvir o barulho dele em chamas. A cidade inteira parada, corri meus olhos pelo horizonte e avistei urubus sobrevoando o céu em seu ritual de caça, araras, tucanos, águias e gaviões também coloriam o céu, mas esse colorido tinha algo de triste, não sabia o que estava acontecendo, mas o ar era pesado, resolvi então sair pelas ruas para ver o que estava acontecendo,  não via nada, nenhum movimento apenas o coração apertado e o nó na garganta, teria eu morrido?

Os espíritas dizem que muitas vezes a gente morre e não sabe, por alguns segundos pensei nessa hipótese, corri até a igreja para rezar e quem sabe chegasse algum espírito e esclarecesse a minha morte, entrei na igreja e vi algumas velas acesas, talvez o único movimento que eu tenha visto até agora, tirando os faróis que abriam e fechavam para ninguém, nem as arvores se mexiam, pois não havia uma brisa se quer, apenas silencio, pássaros e o sol queimando, me ajoelhei rezei, rezei, e nada, nenhum espírito veio até mim e me levou ao reino dos céus, seria eu um morto destinado ao inferno?

Achei melhor nem rezar para pedir a um anjo caído que viesse me buscar, nuca ouvi boas historias do inferno, talvez seria melhor viver na solidão do mundo que sofrer a dor do dos maus tratos infernais, lembrei-me que nas historias que ouvi, li e vi o inferno era sempre retratado como um ambiente quente e hostil, e nesse dia estava muito quente só faltava a hostilidade, um calafrio me subiu pelo corpo. Já estaria eu no inferno? Mas e o julgamento final, meu direito de defesa, meus arrependimentos, foi assim uma decisão arbitraria?

Achei melhor deixar de lado essa idéia de morte, ela não poderia ser assim tão real, afinal sentia meu corpo via as coisas e a cidade era a mesma, apenas sem movimento, e quem me explicaria os pássaros? Resolvi então andar pela cidade, sai a esmo, em algum lugar tinha que haver uma explicação. Já andava a algumas horas quando vi uma senhora vestida de preto dos pés a cabeça, atravessava a rua apressada, corri em sua direção desesperado, como se ela fosse uma heroína ou qualquer divindade, apesar da idade seus passos eram firmes e apressados quando consegui me aproximar estava ofegante, mal conseguia falar, tentava dizer algo, mas ela não parava só dizia que não podia parar, tentei acompanhar mas minhas forças já eram poucas, deixei ela ir, mas não a perdi de vista, segui os seus passos, conforme ia por esse caminho já via um movimento carros parados,  animais de todas as espécies reunidos, todas as pessoas no mesmo lugar, tudo me causava estranheza, meio acanhado perguntei a um senhor de chapéu e bengala na mão o quê havia acontecido, ele meio que espantado e indignado me respondeu:

-Você não sabe o que houve, não viu a tragédia que o medo trouxe para nós hoje?

Eu assustado e sem graça respondi que não. Ele então nervoso pediu para que eu o acompanhasse ele ia pedindo licença às pessoas.

-Aqui está garoto essa é a tragédia que o medo causou hoje

-Estático e sem palavras só pude derramar uma única lagrima…

O Beija-Flor havia morrido. Mas como isso aconteceu?

-Como lhe falei garoto foi o medo, a asas desse pequeno acertaram uma cerca elétrica ele nem teve tempo de reação caiu duro e estático. Ele só queria tocar o coração de um homem que pulou o muro da casa e assassinou uma menininha.

Cercas elétricas só servem para matar cuitelinhos.

Read Full Post »