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Archive for the ‘Agosto 2009’ Category

Menestrel

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Num Pub (Parte 01)

pub__by_Nethel

Nos encontramos ao acaso num desses muquifos de Londres. Eu tinha ido ao velho continente para ministrar uma série de palestras sobre o futuro promissor da minha área de trabalho. Ao sair do centro de convenções, pedi ao taxista que me levasse a algum lugar onde pudesse encher a cara e gastar as poucas notas que tinha em meu bolso. Especialista, ele começou a sugerir uma lista de nomes, simpatizei com um que respondia a alcunha de Drunk as Heaven

Encontrei ali meu pequeno paraíso! A música baixa, mesas afastadas, um enorme balcão e uma prateleira enorme de garrafas. Encostei no balcão, pedi um copo e ali me deixei estar por longos minutos. Absorto, fiquei a olhar o gelo derreter em minha bebida.

Alguns copos depois precisava mijar, não sei se levantei muito rápido ou porque a presença dela me tomou de supetão. Estava sentada numa mesa, próxima de uma estante de livros velhos, bem no caminho do banheiro. Ela tinha a mesma presença jovial de antes. Seu cabelo vermelho contornava seu rosto. A luz da luminária verde, logo acima de sua cabeça, lhe dava uma aura toda mística. Pensei em voltar ao balcão, pensei em voltar ao Brasil. Pensei em voltar para casa. Pensei…

Fiquei ali parado, cambaleante. Ela comia um desses sanduíches que por mais que você se esforce, ele sempre sai do controle e te lambuza todo. Ela me viu ali de pé, na hora largou o lanche na mesa e veio correndo me dar um abraço.

Assim, anos mais tarde, num país totalmente estranho ao nosso, a tinha em meus braços novamente. Por ali ficaríamos. Assim eu acho, mas a verdade é que a curiosidade foi desfazendo o abraço, mas não trouxe com ela as primeiras palavras. Nos olhamos, sorrimos. Ela colocou sua mão em meu rosto, nos abraçamos de novo. Segurei a sua mão, e ela me levou até sua mesa.

– Realmente você é a última pessoa que imaginava encontrar aqui. Começou ela…

-Pois é – Respondi ainda sem graça

– Tá fazendo o que aqui?

-Vim para uma palestra – simplifiquei

-Negócios? Se deu bem, então?

– Por quê?

– a julgar pelo terno…

-Ossos do ofício. E você?

– Eu janto aqui todas as noites. O lugar é bacana e o lanche é suculento.

-Então está morando aqui?

-Desde que voltei…

-De onde? – Interrompi

-Da minha última viagem – disse ela provocante.

Ela tinha ido embora alguns anos antes, no tempo que ainda procurava fixar metas para mim. Ela queria partir, que já estava cansada de esperar eu me encontrar e que iria em busca de ela mesma. Falei que ela estava sendo inconseqüente. Ela me disse que preferia ser livre a viver presa a mim.

Deu uma mordida no lanche, limpou com o dedão o canto da boca e ainda mastigando disse:

– Trinidad e Tobago

-Onde?

-Trinidad

– O que uma pessoa vai fazer lá?

-Ué? Eles vão ser o grande exportador de gás natural do mundo…

-Bacana…

-Fui visitar uma amiga montanhista lá.

Foi exatamente essa falta de noção de distância das coisas que nos uniu. Nos conhecemos num churrasco, na época estava estudando para o vestibular. Só fui à festa porque meus amigos insistiram que eu precisava sair. Já estava indo embora da festa quando Malu, uma amiga em comum, veio correndo me pedir para esperar um pouco que uma pessoa iria aproveitar para ir comigo ao Metrô. Fiquei ali plantado olhando os minutos passar, cada vez mais atrasado, a espera da tal infeliz. Ela veio correndo, toda estabanada, tentando colocar o sapato enquanto segurava a bolsa. Lembro que achei engraçada a cena, mas não quis ser simpático. Precisávamos correr para conseguir chegar a tempo no Metrô.

Descemos em direção ao ponto. Ficamos esperando o ônibus, entramos no túnel da estação para nada.

Dito e feito! Ficamos sozinhos, à deriva na principal avenida da cidade, com a madrugada inteira pela frente.

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Ao Dimi, com carinho!!

bola-de-meia

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

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