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Archive for the ‘O Passado nos contenta 2007’ Category

roses

Para Valéria

Sem que eu pudesse notar ela veio e roubou tudo o que eu achava ser meu, roubou meu coração, meu pensamento. Minhas noites de sono não existem, mas não a uma noite em que não tenha lua nem estrelas. Meus dias nublados são mais leves, sempre com raios de sol cruzando nuvens bem branquinhas.

Olhos cor de mel que irradiam um brilho intenso, brilho este que invade minha alma, tira meus pés do chão, posso voar sem ter asas, vôo pelo simples fato dela existir, existo simplesmente por que a amo.

Deus pediu pra que eu cuidasse muito bem desse anjo, isso é algo que ele nem precisa pedir, porque é o que eu faço e farei todos os dias. A voz doce e leve ao pé do ouvido soa como a mais bela canção celestial.

Ah! E seu sorriso indescritível, vai crescendo as poucos em seus lindos lábios, iluminado a escuridão, transformando a noite em dia a tristeza na mais pura alegria.

Meus passos são todos em sua direção, meus caminhos levam sempre a ela, e ela me leva sempre a loucura, não quero me tratar desse devaneio.

Viver se tornou mais fácil, caminhar entre pedras e espinhos não é mais necessário, porque por eles só caminham quem não pode voar, e eu posso!

Encontrei no amor dessa mulher a liberdade e na liberdade o sentido do amor. Na face da terra jamais passará outra mulher igual ou parecida, na face da terra é a mulher da minha vida, e no céu, a mulher da minha eternidade!

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Eu não estava lá, foi no inverno de um ano qualquer, afinal, inverno é tudo igual, é sempre frio, na Antártida até o no verão faz frio. Não me lembro ao certo onde estava naquele dia só sei que era madrugada e aos berros me acordaram, levantei perdido não sabia onde estava, aos poucos fui retomando minha consciência e pude lembrar-me do quarto de hotel barato que me encontrava, assustado fui até a porta, abri olhei para os dois lados do corredor e não vi ninguém, certamente havia sonhado, voltei para a cama e tentei pegar no sono, mas você sabe como a gente fica né, virava pra lá virava pra cá, e nada de pegar no sono, quando me dei conta despertei com o telefone tocando.

– Senhor serviço de despertador são sete e horas da manhã.

Pois é, peguei no sono e nem percebi, mas o sono não foi reconfortante acordei porque era necessário, fui até o banheiro tentar tomar um banho, mas o chuveiro não esquentava a água, liguei para a recepção e fui informado que havia acabado o gás, e não havia previsão para chegar, pois o governo estava tentando acabar com esse negocio de gás encanado, o jeito foi tomar um banho gelado mesmo, de certa forma foi bom acabei despertando. Peguei minhas coisas acertei a diária e sai pela cidade a esmo, as pessoas tinham pressa não sei do que, acho que era domingo, tentei tomar um café no bar da esquina, mas não desceu, já estava assim a algum tempo, não tinha fome nem sono, cada hora parecia uma eternidade, não sentia mais nada, parecia estar imune a qualquer coisa. Andei por horas, consegui comer uma coisinha ou outra, andei mais ainda para conseguir

achar um hotel barato, assim com água quente, encontrei. Mas a TV não pegava. Como eu poderia pegar no sono sem TV? Não tinha jeito ou água quente ou TV. Nessa noite preferi ficar com algo que pode acabar daqui a uns anos. Tomei meu banho e fiquei na janela olhando o movimento da cidade, é incrível como as pessoas correm o tempo todo, já passava das onze da noite e as pessoas corriam. Deitei e não demorei a pegar no sono, só que mais uma vez fui acordado as berros dessa vez não demorei pra me situar saltei da cama e já fui logo pra abrir a porta, e mais uma vez nada. Deitei e dormi como não dormia a muito tempo, dessa vez não pedi para que me abordassem eu não tinha pressa, dormi até ficar cansado, levantei e fui até um pequeno restaurante que ficava na frente do hotel, pedi um comercial, comi, quem via pensava que não fazia isso a dias,e de certa forma não estavam tão errados, terminei minha refeição e fiquei sentado vendo o programa de esportes que passava na TV. Voltei ao hotel peguei minhas coisas paguei a conta e sai, dessa vez não a esmo eu tinha um destino achar um hotel com água quente e TV a cores, não demorei muito para achar, mas o dinheiro que tinha no bolso não poderia pagar esse luxo. Me pus a andar de novo até que encontrei um hotel com água quente TV a cores e diária barata, peguei as chaves subi a pequena escada, meu quarto era o ultimo do corredor, entrei e já fui logo ligando a TV, coloquei o som no ultimo volume, ninguém ia se incomodar eu era o único hospede, fui até o banheiro deixei a porta aberta para ouvir a TV liguei o chuveiro quente e fiquei horas no banho, só sai quando minha pele já estava toda enrugada, coloquei uma roupa e fui até a padaria, comi um lanche, voltei nem tirei roupa cai na cama e dormi como uma criança até ouvir os berros fui até a porta e mais uma vez nada dessa vez nem voltei pra cama peguei minhas coisas acertei a conta e sai pela cidade, dessa vez ela parecia mais calma ninguém corria, a gigantesca metrópole adormecia só eu e meu pensamento que não, aliás meu pensamento não dormia a muito tempo, meu corpo dormia mas o pensamento não, logo amanheceu tomei um bom café, e resolvi pegar um ônibus para outra cidade fui até a rodoviária escolhi uma cidade qualquer com nome de um santo, não me lembro o nome do santo agora, mas isso não vem ao caso. Cheguei à cidade perto das oito da noite aluguei um quarto de pensão, sem TV, mas com água quente, comi a alguma coisa e fui dormi, só que dessa vez eu tranquei a porta bem trancada nem um trator iria conseguir abrir, e aquilo que me incomodava todas as noites não ia ter força para entrar. Meu sono essa noite foi leve eu queria pegar ele no pulo. Estava cochilando quando mais uma vez os gritos começaram e dessa vez eu pude ouvir o que ele gritava.

– Abre a porta do seu coração não ta vendo que sou eu batendo.

Com medo perguntei: Eu quem?

– O AMOR.

Me pus a chorar.

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A gente senta espera, mas nunca chega. Mas como pode chegar algo que não
sabemos o que é, na verdade não sabemos o que queremos. Sentar e esperar e
quando chega, não sabe o que fazer, esse é o dilema, continuar como está, ou
investir em algo novo? Puta que pariu viu, o que é que eu faço? Ô mas que
droga viu, ta bom assim, mas… E do outro jeito não seria bom também? As
coisas só parecem iguais, mas não são né? Ou são? Me parece tão igual, e
isso da medo. Começar tudo de novo… e se for igual? Que dilema, o pior; é
que só eu posso resolver isso.deveria ter qualquer coisa assim…não sei,
não sei mesmo. Não. É só o que me vem a cabeça, mas não é um não de negação,
e um não pó, se também já quer saber de mais, se eu não sei te explicar como
é que você pode me ajudar? Mas pô! da uma força! O que é que eu faço? É…
só eu mesmo pra resolver. Mas que droga… Que que eu faço dessa minha
vida???

Chego até sentir saudades.

– Isso sim é burrice, sentir saudades? Faça mil favores. Sentir saudades,
mas é um tolo mesmo. Se acha que ela ta ligando pra você. Seu otário!

– Otário? Você acha mesmo? Ai, você quer me complicar né! Pô venho te pedir
uma ajuda e você me fala isso. Se bem que eu acho que você tem razão, ela
gosta de verde e eu de vermelho, ela gosta de praia e eu gosto do campo, ela
gosta de rock e eu de MPB, tudo que ela gosta eu não gosto, tudo que eu
gosto ela não gosta, não vai dar certo. Mas se a gente for pensar no imã, é
no imã aquele negocinho que gruda no ferro. Então o imã pra se juntar a
outro tem que ser por lados opostos, daí o ditado os opostos se atraem.
Então vai dar certo. Ai que bom vai dar certo. Mas o que é que eu quero? Não
faço a mínima idéia, e quer saber mais, o que tiver que acontecer vai
acontecer e eu vou aceitar essa condição, mas se não der certo… Ah! Como
eu vou sofrer.

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Ah! Você sabe como é fácil gostar de você.
Se não soubesse não tinha esse rebolado e nem prendia o cabelo dessa forma. Pra você é muito fácil dizer que ninguém te olha, só pra escutar elogios, sempre sabendo que é fácil gostar de você. Se não soubesse, não ia sorrir dessa forma. Você reclama das suas roupas, mas na verdade quer reclamar do seu corpo, só pra alguém dizer, que você está linda assim, tudo isso, porque você sabe que é fácil gostar de você. Se não soubesse, não pintava seus olhos dessa forma.
Eu estava imerso na mais profunda solidão, ao te ver; sai de lá num instante, gozei do seu corpo, da sua beleza, e da facilidade de gostar de você. Hoje estou de volta, imerso em um misto de solidão e saudade, de esperança e angustia. Não deveria ser fácil gostar de você. Vou baixar um decreto, à partir de hoje, qualquer um que gostar de você que não seja eu, sofrerá eternamente, mas… É que pensando bem esse decreto já existe né? E foi você que criou! Quantos não gostam de você e sofrem por não poderem gozar seus abraços. porque gostar de você é fácil, difícil é esquecer!

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The answer, my friend, is blowin' in the wind.

-Vai, aparece,

Mostre sua verdadeira face, deixe-me ver seus verdadeiros tons. Não se esconda mais em suas atitudes. Eu quero conhecer a ti, Vento!!

Por tantas vezes eu te acompanho, nas suas manifestações de existência, e ainda sim não me mostrou seu rosto ainda, logo eu que te admiro. Ora, por que não me escolhes? Pensa que não te vejo se exibindo todo faceiro, dançando com uma sacola plástica qualquer em meio ao transito e a poluição do dia-a-dia?? Saiba que mesmo em meio a esse caos não pode andar por ai a revirar coisas, chacoalhando a copa das árvores e ninguém notar.

Bom, eu pelo menos te notei Vento. Eu vi enquanto você passava seus dedos por entre um campo de trigo, quase como uma caricia. Você veio bagunçar meus cabelos, mas preferiu a risada gostosa do trigo seco enquanto você corria no meio dele.

Para mim não passa de menino, que quando contrariado bagunça o quarto para chamar a atenção, ora pensas que não vi em um de teus braços carros voando?? Que por puro capricho levantou uma casa, que destruiu uma cidade sem avisar enquanto brincava com a Terra?? Ou pior quando se junta com o Fogo ninguém segura os dois, você segue espalhando a bagunça que ele consome.

De todas as suas companhias a que mais admiro é sua relação com o Mar. Quando estão juntos o Mar vibra, oscila. Desse carinho quase insistente, o Mar se desfaz em ondas. Estrondosos, juntos são a respiração do Universo. Quais palavras para descrever tamanha energia? Eu não me atrevo…

Sonho em ser cata-vento, ter em mim sua força mas como em um moinho tritura minhas idéias e de tanto rodar caio zonzo no chão.

Vai…Arranca do meu peito essa vontade de estar contigo. Tire meus pés do chão. Eu quero estar entre as nuvens. Deixe-me pertencer ao seu reino.

Escolha-me, me leve, me leve leve.

Eleve minha alma a condição de vento.

-Uhhhhhhhhhhhhh uhhhhhhhhhhhhhh uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Deixe-me traduzir em palavras o que o Vento me soprou:

Tu já me tens, já estou em sua alma porque minha alma você buscou. Sou livre, e só assim existo, meu movimento prova minha existência, senão sobra o vácuo. Assim é a alma humana, se às tens livre ela pode ir ao céu, pode ser o que quiser, pode ser a sacola, o campo de trigo, o Mar.

Não perca tempo buscando uma forma, você me reconhece sendo brisa ou sendo tempestade. Não permita que aprisionem sua alma, tenha sempre espaço para mudar. Agora vem, segura firme porque vamos voar.

E quem sou eu para discutir…The answer, my friend, is blowin’ in the wind.

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E assim é minha vida, uma manhã, uma tarde e uma noite, nada de novo. Mas também o que seria novidade para alguém com mais de 200 anos? É. 254 pra ser mais exato, mas ninguém me dá mais que 20 e poucos anos. Já fui tocador de Boi, já fui boiadeiro, senhor do café, presidente da republica e muitas outras coisas, se eu for falar tudo que fui vamos passar anos conversando sobre isso, o mais importante é que eu fui alguma coisa, aliás eu sou, a cada trabalho eu sou uma outra pessoa, mas logo volto a ser eu mesmo, volto a minha realidade. Já vi a natureza brava, mas nunca como agora. Aqueles que me conhecem sempre perguntam o que eu acho, e eu só lhes digo: Certa é a natureza ela chegou primeiro, e quem pegou o lugar dela fomos nós, ela nós permitiu viver em harmonia, mas nós homens não sabemos o que é isso. Ai já viu né! Todo mundo caindo de pau em cima de mim.

Falar da natureza me faz lembrar dos caudalosos rios que habitavam essa grande cidade que hoje eu vivo, eram lindos, brinquei muito neles, foi no mais lindo de todos que aprendi a nadar. Essa parte aqui onde você só vê prédio, era uma fazenda, aqui mais pro lado direito, ficava os bois, aqui ó! Bem na sua frente, era uma plantação de feijão, o moço da fazenda sempre dava uns bons quilos de feijão pra gente, ele falava “tem muito feijão aqui, já vendi o suficiente pro meu sustento e pra nova safra.” E aqui então tinha um pé de laranja que estava sempre carregado, eu voltava do rio, passava aqui, pegava uma laranja e ia saboreando aquele suco doce até minha casa. Minha casa era ali ó!Tá vendo aquela casona grande com os muros altos? Então lá ficava a minha casa, bem dó lado tinha uma vendinha. Ia lá só pra comprar doce de leite. Eu comprava o doce de leite e ia comer ali ó no alto daquele morro, porque de lá eu tinha a vista de toda a cidade, e foi lá que um dia apareceu um senhor de terno branco, bengala e me perguntou: O que você prefere filho a vida ou suas memórias? Respondi sem pensa. Não posso viver sem memórias. Ele então tocou sua bengala em minha cabeça, e fui condenado a vida eterna aqui na terra. No dia, não foi uma condenação mas sim um presente, mas acho que o velho não sabia o que iriam fazer com tudo aquilo em que contemplávamos todos os dia

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E choveu…

Simples assim, talvez porque não estivesse ninguém olhando.
O primeiro pingo caiu tão desacreditado que quase não molhou o chão
Seus parentes mais próximos é que se fizeram notar, apagando um pouco a cor do solo
E antes que alguém os impedisse, trataram de chamar os próximos pingos, esses sim mais espalhafatosos e barulhentos
Vieram em tão grande numero que deixaram de ser pingos para ser algo coletivo, a chuva!
A principio eu poderia ter corrido, buscado o conforto de um lugar seco, mas resolvi seguir meus passos, indiferente a toda aquela manifestação natural, como se o fato pouco me importasse.

A maioria dos pingos chegava a mim pela frente, molhando rapidamente meu cabelo e enxarcando a camiseta, enquanto a calça devido ao peso extra, perdia a linha da cintura. Apertei o passo e segui. Os pingos e gotas que ficavam para trás corriam de volta no sentido da rua pelo meio-fio carregando pequenas oferendas. Traziam folhas, papéis-de-bala, bilhetes de amor com palavras já borradas.
Foi então já com o dedos enrugados, sem nenhuma parte de meu corpo seco que uma gota tocou mais fundo e pude compreender o que acontecia ali. Foi um sussurro de vento que me contou que aquela tempestade viera de longe, já fora algo imenso e salgado, mas o calor do sol fez lembrar saudosa a sua nascente e seu lento caminho até o mar. O vento me contou que mesmo estando lá no céu à chuva não se contentou de ver tudo lá de cima, cansou de brincar de formar figuras para divertir as crianças e a saudade foi tão grande, tão grande que a criança assustada se escondeu, a dona-de-casa recolheu as roupas do varal, o pessoal no ponto-de-ônibus se pôs a reclamar da sorte, e o trânsito continuou ruim como sempre. A nuvem tornou-se tempestade e desandou a chorar.
E eu ali, pequeno em minha existência, escutando o sussurro do vento, ouvindo as histórias de todos os lugares por onde aquela chuva havia passado, as montanhas, quedas e cachoeiras, o sinuoso curso do rio até cumprir sua missão de mar, a descoberta de um lugar chamado céu, a gota em companhia do vento em queda livre até o chão, a retomada do ciclo.

Tocado por sua sutileza me tornei chuva, o primeiro pingo de lágrima correu por meu rosto e me coloquei a chover, chovi até sentir o calor do sol novamente. Entendi então a beleza do circulo e sua sábia perfeição.

E choveu.
Simples assim…

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