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Archive for the ‘Outubro 2007’ Category

E assim é minha vida, uma manhã, uma tarde e uma noite, nada de novo. Mas também o que seria novidade para alguém com mais de 200 anos? É. 254 pra ser mais exato, mas ninguém me dá mais que 20 e poucos anos. Já fui tocador de Boi, já fui boiadeiro, senhor do café, presidente da republica e muitas outras coisas, se eu for falar tudo que fui vamos passar anos conversando sobre isso, o mais importante é que eu fui alguma coisa, aliás eu sou, a cada trabalho eu sou uma outra pessoa, mas logo volto a ser eu mesmo, volto a minha realidade. Já vi a natureza brava, mas nunca como agora. Aqueles que me conhecem sempre perguntam o que eu acho, e eu só lhes digo: Certa é a natureza ela chegou primeiro, e quem pegou o lugar dela fomos nós, ela nós permitiu viver em harmonia, mas nós homens não sabemos o que é isso. Ai já viu né! Todo mundo caindo de pau em cima de mim.

Falar da natureza me faz lembrar dos caudalosos rios que habitavam essa grande cidade que hoje eu vivo, eram lindos, brinquei muito neles, foi no mais lindo de todos que aprendi a nadar. Essa parte aqui onde você só vê prédio, era uma fazenda, aqui mais pro lado direito, ficava os bois, aqui ó! Bem na sua frente, era uma plantação de feijão, o moço da fazenda sempre dava uns bons quilos de feijão pra gente, ele falava “tem muito feijão aqui, já vendi o suficiente pro meu sustento e pra nova safra.” E aqui então tinha um pé de laranja que estava sempre carregado, eu voltava do rio, passava aqui, pegava uma laranja e ia saboreando aquele suco doce até minha casa. Minha casa era ali ó!Tá vendo aquela casona grande com os muros altos? Então lá ficava a minha casa, bem dó lado tinha uma vendinha. Ia lá só pra comprar doce de leite. Eu comprava o doce de leite e ia comer ali ó no alto daquele morro, porque de lá eu tinha a vista de toda a cidade, e foi lá que um dia apareceu um senhor de terno branco, bengala e me perguntou: O que você prefere filho a vida ou suas memórias? Respondi sem pensa. Não posso viver sem memórias. Ele então tocou sua bengala em minha cabeça, e fui condenado a vida eterna aqui na terra. No dia, não foi uma condenação mas sim um presente, mas acho que o velho não sabia o que iriam fazer com tudo aquilo em que contemplávamos todos os dia

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