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Posts Tagged ‘Quem vai nos ajudar?’

Sábado, saindo de um restaurante com alguns amigos na Rua da Gloria, na Liberdade, fomos abordados por um rapaz que dizia ter caído e batido a cabeça, ele reclamava de dores muitos fortes e de visão embaçada. Ele perguntava por um hospital que ficava a um quarteirão de onde estávamos. Eu, com outro amigo o ajudamos chegar ao hospital. Enquanto eu tentava acalmá-lo, meu amigo fazia uma ficha para ele, ele desmaiou e começou a ter uma convulsão literalmente nos meus pés. No pronto socorro haviam duas enfermeiras, três seguranças e uma atendente e que ficaram imóveis enquanto o rapaz se debatia e espumava os meus pés.  E depois de alguns gritos meus, escuto a enfermeira falar: “não posso fazer nada”. Meus amigos, que foram proibidos de entrar onde eu estava gritavam para eu virar o cara, e essa foi toda ajuda que tive.

Eu sei que uma pessoa que com convulsões realmente não tem como receber muita ajuda, mas pelo menos sei que temos que vira-lá de lado e esperar passar. Sei também, que quando alguém bate a cabeça muitas coisas podem acontecer sem aparência externa (uma concussão ou até mesmo um traumatismo craniano, que pode levar a morte) e por isso precisam de atendimento imediato. Mesmo sabendo essas poucas coisa, comparando com o conhecimento que as enfermeiras que estavam atrás de mim com as mãos no bolso (literalmente), tentei ajudar o rapaz da maneira que pude e eu sabia, já a enfermeira…

Eu nunca tinha visto aquele moço na minha vida, ele poderia ser um mendigo (sem aparentar) poderia ser um bêbado ou um drogado, mas estava desesperado pedindo por ajuda, eu ajudei. Eu, uma designer que às 04h00 da manhã estava saindo de um restaurante ajudei, já a enfermeira, que quando se formou, fez um juramento  e que estava em seu horário e local de trabalho ficou parada sem ao menos tirar a mão do bolso para se coçar.

O cara realmente poderia não ter nada, poderia estar drogado, mas isso não justifica ser tratado na maneira que foi. E se ele estivesse com uma seriíssima lesão na cabeça? E se ele engasgasse enquanto tivesse a convulsão ou machucasse outra parte do corpo, mas não! Enquanto ele se debatia no chão a atendente e os seguranças estavam mais preocupados em me explicar que não poderiam fazer nada ao invés de ajudá-lo, ou preparar uma maca ou até mesmo dar um pouco mais de atenção ao rapaz. Ah! E estava frio demais! Motivo compreensível para a enfermeira não tirar a mão do bolso.

Pode parecer redundante o que eu estou delatando aqui, muitos podem ler e pensar ”ta, cadê a novidade?”. Já vimos pela televisão mulheres que dão a luz em fila de hospital, ou até mesmo pessoas que morrem na espera de um atendimento.

E se em situações como essas, enfermeiras, médicos, donos de hospitais dizem que não podem fazer nada. Então quem poderá nos ajudar? Chapolin?

Enfim, pode parecer bobo e já passou, posso até estar errada! Mas eu só queria desabafar.

Obrigada pela atenção.

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